o burro sou eu

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Antigamente quando a gente estudava com a intenção de ter “melhor posição” na vida, aderíamos à ilusão de nossos pais, que nos incentivava a isso para que tivéssemos maiores chances de trabalho, mas enganavam-se porque os valores de ontem são diferentes dos valores de hoje, assim como os de hoje certamente serão diferentes dos de amanhã, além do que, inteligência nada tem a ver com cultura.

Podemos ser ilustrados burros ou analfabetos inteligentes.

Claro, há os que estão nos extremos da curva, mas são raros.

Graças a Deus!

Os mais velhos esqueciam-se desse pequeno detalhe ao tentar nos dar uma formação mais aprimorada.

Com o “emburrecimento” global, os papéis se inverteram. Agora os burros mandam e os inteligentes obedecem.

A apologia à burrice está em toda a parte. Está na mídia; está nas escolas; está no legislativo, no executivo e no judiciário; está em todos os centros de cultura que antes se notabilizavam pelas rédeas da inteligência.

Graças ao despreparo – ou esperteza – de nossos governantes, a coisa foi involuindo com tal rapidez que chega a me chocar algumas vezes quando comparo os dias da minha infância com os dias de hoje.

Se somos inteligentes, devemos disfarçar esse talento nato e fingir que somos burros, principalmente na presença de algum “chefe tribal”.

Corremos o risco de ser discriminados ou taxados de reacionários.

Como me arrependo de ter estudado. Foi uma escalada dura. Como me arrependo de ter evoluído intelectualmente. Sim, porque como disse Einstein: – “a mente que se abre para um novo conhecimento jamais volta a seu tamanho normal”, sobrando mais espaço para que a inteligência se faça notável.

Se soubesse naquela época o que sei hoje, não teria estudado. Seria um “João Ninguém” feliz, pois quanto maior a ignorância, maior a felicidade.

Quando vejo um burro “bem sucedido” na vida, questiono todos esses anos nos quais passei estudando e dando asas à minha inteligência e chego à seguinte conclusão:

– Os inteligentes são eles!

– O burro sou eu!

9 Respostas to “o burro sou eu”

  1. Marcia Says:

    Poeta Cronista, quanta maldade verdadeira…bjus

  2. adriana Says:

    Como você é sábio…
    PARABÈNS!!!
    Te admiro mto!!!
    Bjs.
    Inezinha tem razão, você “é o Cara”.

  3. Edilaine Says:

    LINDO!!

  4. jilberto Says:

    Olá, Osvaldo
    Linda crônica em que recorreste ao recurso da ironia. A leitura da mesma me fez lembrar um velho professor da UFS que dizia o seguinte: “Quanto mais estudamos e aprendemos, mais infelizes nos tornamos”. No entanto, ame-se, porque há quem te admire por tua inteligência.

  5. jaime dantas Says:

    Caro,

    Estou feliz em saber que existe mais gente do planeta do qual sou, pois deste realmente eu não faço parte.

    No final do ano escrevi internamente uma mensagem para meus colegas no qual referi e inferi exatamente esta questão que você escreveu, e ainda vou mais longe, digo que existe três tipos de pessoas neste mundo: os que nada sabem, os privilegiados e os normais, neste último estamos nós, os que estudaram, os que eram os bobões, os que com isso nada conseguiram senão trabalhar para suprir o trabalhos dos que nada sabem, e produzir mais riqueza para os privilegiados que nem sabem ao menos pensar.

    Immanuel kant disse ” sapere audi” “Atreva-se a pensar”, em poucas palavras. Eu me incluo demais neste seu texto e espero ansiosamente a minha nave espacial e que esta me leve de volta pro meu mundo.

    Vai que lá estudar e saber, mesmo pouco, tenha algum valor.

    Valeu !

  6. letícia Says:

    Gostei muito…ha muito a se refletir nessa crônica..

  7. karinne Says:

    huahua… Ameiiii… essa foi magníficaaa!!
    beijo sz

  8. eloenidallazem Says:

    Como iríamos nos deliciar com suas poesias se vc não tivesse estudado??? Certamente não teria a mesma habilidade!!!! Mas que vc tem toda a razão, têm!!!! Esse é o retrato de nosso país!

  9. Cleidiane Says:

    Que pena que a Educação não é mais sinônimo de aprendizagem (uma aprendizagem para a vida), o caminho mais curto para o desenvolvimento das competências e habilidades do homem, uma das possibilidades de ascensão social, profissional e intelectual. Talvez essas sejam as razões pelas quais os animais, chamados “irracionais”, demonstrem ter mais racionalidade que os humanos.
    Que bom que você, doutor, estudou e nos presentou com esse texto. Ainda acredito que a educação (estudar) seja um dos instrumentos capazes de transformar o mundo e os seres que nele habitam.

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