despertar

.

De repente

já não ouço os que me falam,

só sinto.

O último instante em que ainda os percebia

ficou arquivado

e horripilante é sua memória.

Agora me servirá de lastro.

A mesma bolha que me trouxe das profundezas

do sem-cor, do só-ruídos, do jamais-solitário

impulsionada pela lembrança

me elevará

ao cada-vez-mais-claro.

É hora de ouvir minha própria voz.

(22.10.73)

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2 Respostas to “despertar”

  1. Jilberto Says:

    Olá, amigo
    Gostei muito do poema, principalmente do último verso. Às vezes é necessário que paremos tudo e ouçamos o que a nossa consciência tem a nos dizer. Infelizmente passamos a maior da vida ouvindo a voz dos outros, ignorando a nossa própria.
    Um abraço.
    Jilberto

  2. Jaqueline Robespierre Says:

    Olá, amigo Osvaldo!
    É muito bom quando conseguimos ouvir a nós mesmos e agimos de acordo com nossa consciência.
    Através do seu singelo texto, recordamos algo que nunca deveríamos esquecer
    Obrigada.

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