a viagem

.

Viajei pelo mundo todo procurando te encontrar,

tempo perdido na Terra pra na eternidade te amar.

Eu vi cobras e lagartos, que corriam atrás de mim;

vi rãs, sapos, pererecas, uma doideira sem fim.

.

E atravessando o deserto escaldante do Saara,

morri de sede e calor. Minha sorte é que me ampara!

Cheguei a pensar comigo se valia a pena seguir,

mas logo de ti lembrava; me impelindo a prosseguir.

.

Ao chegar no Polo Norte, quase morri de frio.

Veja só a minha sorte: encontrei um urso macio.

Era manso e me esquentou com seu corpo todo peludo.

Eu acho que ele hibernava. Pense como fui sortudo!

.

Nas caatingas do sertão só ouvia contos e “causos”;

histórias de Lampião incríveis, muitas dignas de aplausos.

Mas e tu? Nem sinal de vida! Onde foi que te meteste?

Prossegui na minha busca, norte-sul, leste-oeste.

.

Fui parar até na Índia; até no Ganges me banhei.

Fiz promessa até pra krishna, mas nem ali te encontrei.

E quando passei na China? Lá é que foi pior!

Lutei kung-fu com os “cabras”, consegui levar a melhor.

.

Nas cordilheiras dos Andes, parei um pouco pra olhar

aquela paisagem divina com condores a sobrevoar.

Ouvi os sons das zampônias* e dos cajons* dos nativos.

Bebi muito pisco azedo* e fiz um bando de amigos.

.

Mas tive que prosseguir na busca do meu amor,

pois de que serve a alegria sem confortar minha dor?

Parti dali pra o Tibet, fui de jegue, depois a pé.

Fiquei num mosteiro de Buda (ou terá sido Lao-Tsé?).

.

Sei lá, não me lembro mais, foi tanto frio e oração…

Só me lembro da saudade que partia meu coração.

Depois de meses, ou anos, finalmente te encontrei,

mas não te encontrei sozinha, e a viagem lastimei.

.

Mas que moleca safada!… Não podias me esperar?

Foi logo se enrabichando… Deu vontade de esganar!

Com essa aprendi de vez a não confiar na promessa

de amor que a gente ouve, pois se esquece bem depressa.

.

*zampôniasinstrumento de sopro andino confeccionado com tubos de bambu.

*cajonsinstrumento de percussão dos povos andinos.

* pisco azedobebida típica peruana, feita com conhaque de uva, limão, clara de ovo e canela.

Anúncios

6 Respostas to “a viagem”

  1. Muito legal esse poema, leve e muito divertdo. Gostei muito. Parabéns.

  2. Karinne Says:

    Parece um martelo agalopado!!!rs…
    muito bacana!! ameiiii….

  3. Marcia Says:

    Só um cabra da peste pra encarar tal viagem
    Me diverti até lendo à saga de sua aventura
    Vou repassar essa merece leitura
    bjus…………..

  4. Fatinha Says:

    Que canseira!!!

  5. Tayanne Says:

    Que aventura, hein?
    Muito legal mesmo… adorei!!!!!

  6. Jilberto Says:

    Realmente foi uma longa viagem, mas para quem ama, por mais demorada que seja, o amor nunca se acaba. O verdadeiro amor tudo suporta.
    Abraços!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: